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28/12/2012

O que é Esclerose Múltipla ?

Posted By: Vania Regina - 02:20

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A Esclerose Múltipla uma doença rara autoimune degenerativa do SNC que consiste no esclerosamento (endurecimento ou cicatriz) da mielina em múltiplas áreas do cérebro cerebelo, tronco encefálico e medula espinhal, obtidas por meio da inflamação ou desmielinização no sistema nervoso central. Esse processo ocorre logo no início da doença representado pela degeneração das fibras nervosas ou axônios. Até o momento não se sabe a causa ou cura para essa patologia.


A doença atua afetando a bainha de mielina, que consiste na camada que recobre as fibras nervosas na substância branca do cérebro e medula espinhal, danificando neurotransmissão.


Compreende-se por mielina as camadas lipotreícas que revestem e isolam as fibras nervosas (axônios), qual é responsável por proporcionar rapidez nas mensagens que controlam todas as ações conscientes e inconscientes do corpo. Quando a bainha de mielina é danificada ocorre o que se chama surto, quais acontecem aleatoriamente e sem previsão em regiões aleatórias do sistema nervoso central. Dependendo de onde no SNC os surtos afetem pode haver resultados irreversíveis ou que ao longo do tempo dificultem a vida do portador. Uma vez que a doença afeta diferentemente cada pessoa, os sintomas de cada paciente serão diferentes.

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Devido a essa volatilidade de atuação da patogenia é que se faz difícil alcançar o diagnóstico da Esclerose Múltipla, qual tem em suas manifestações semelhança com outras anomalias, fazendo com que muitas pessoas vivam, por vezes, anos a fio tomando medicamentos errados, que não raro, prejudicam ainda mais seu estado de saúde. 

Mesmo as pesquisas tendo avançado muito no conhecimento da Esclerose Múltipla, ainda não existe nenhum exame que comprove com total certeza seu diagnóstico, sendo este alcançado pela avaliação médica, física, exames, principalmente o de imagem, e a própria história clínica do paciente. O neurologista irá avaliar tais dados e compará-los com as características predominantes da doença, chegando ao diagnóstico final tomando mão de sua experiência e expertise.





História

O primeiro registro de demonstração patológica da Esclerose Múltipla ocorreu no início do século XIX por dois médicos europeus. Primeiramente em 1831 por Robert Carswell, qual havia encontrado placas no SNC durante necropsias. O mesmo achado ocorreu com Jean Cruveilhier durante rotinas do mesmo procedimento. Foi este médico que relatou a “novidade” para a comunidade médica entre os anos de 1835 e 1842.


Entretanto os primeiros relatos clínicos e anatômicos detalhados da doença, quais vigoram até os dias atuais, são creditados a Jean Martin Charcot e Edmé Félix Alfred Vulpian. Estes que eram as principais autoridades em paralisia no velho continente, veiculou uma exímia publicação onde diferenciava uma nova doença, até então confundida com paralisia, era a “oficialização” da Esclerose múltipla.


No Brasil somente em 1923 foi registrado o primeiro caso da doença por Aluízio Marques. Mas foi em 1926 que um dos maiores pesquisadores da doença, Antônio Austregésilo, publicou o primeiro estudo neuropatológico da América Latina.

 Alvo


A Esclerose Múltipla está entre as doenças mais comuns que afetam o sistema nervoso central em adultos jovens, na faixa de 20 a 50 anos, sendo mais pontualmente registrado acometimentos na infância e após os 60 anos. Atinge uma média de 1 a 12 pessoas a cada 100.000 mil pessoas no Brasil. 

Já nos Estados Unidos e Europa estatística é de 7,5 pessoas a cada 10.000 habitantes, o que comprova a prevalência da doença em países frios e de maioria branca. As mulheres também são as mais suscetíveis, sendo que num grupo de 5 indivíduos, 3 são mulheres.


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Como se manifesta

O processo inflamatório pode ser percebido por meio de diversos sintomas, que podem ocorrer isolados ou em conjunto, durante a trajetória da EM.


Sintomas mais comuns são:


·       Fadiga

·       Dor e dormência

·       Vertigens ou tonturas

·       Sinal de Lhermitte – sensação de choque elétrico que desce pela coluna quando do movimento da cabeça e pescoço.

·       Paralisia e enrijecimento: facial, no maxilar, músculos e articulações.

·       Parestesia – formigamento, cãimbra, ardência, queimação, fincadas.

·       Ataxia – ausência de equilíbrio, marcha irregular

·       Disfunções sensoriais diversas: Auditiva, olfativa, gustativa, táteis.

·       Distúrbios da micção

·       Distúrbios do funcionamento intestinal

·       Distúrbios sexuais

·       Diplopia – visão dupla

·       Disartria – dificuldades na fala

·       Dipneia – falta de ar, dificuldades respiratórias

·       Ansiedade e depressão

·       Espasticidade – contração involuntária de um ou mais músculos ou órgãos.

·       Hiperreflexia – excesso de reflexos

·       Hiporreflexia – baixa resposta a estímulos

·       Fraqueza geral ou localizada

·       Incordenação motora, tremores




Existem variações de atuação da EM, não se resumindo a apenas uma e constante. As formas clínicas da doença se resumem em três, quais sejam:


Recorrente-remitente, ou surto-remissiva: Caracterizada pelos eventos de surto e recuperação recorrente, geralmente registrando boa recuperação neurológica. Esta é a forma mais comum desta patologia.


Secundariamente progressiva: Inicialmente a EM se manifesta surto-remissiva e posteriormente, após tempo, converte-se em progressiva.

Primariamente progressiva: Caracteriza-se por evoluir lenta e progressivamente desde seu início.

Primária progressiva com surtos: Registra progressão desde o ínicio, porém sua evolução ocorre durante característicos surtos, havendo, contudo, notável avanço da doença durante os intervalos de surtos.


Sendo uma incognita que é a EM, a forma da doença que o portador abriga somente será percebida ao longo dos anos, através de acompanhamento médico. Lembrando que quanto mais cedo se identificar a patologia, maiores as chances de se manter uma vida normal e produtiva.



 Um Tratamento para cada caso


 Apesar de não existir nenhum medicamento que cure a Esclerose Múltipla, os laboratórios cada vez mais têm alcançados medicamentos eficientes para os diversos estágios da doença e para retardar o avanço da mesma, não sendo, contudo, nenhum isento de efeitos colaterais indesejados, ou restrições. Existem medicamentos aplicados à EM que precisam de acompanhamento médico constante durante sua ministração, uma vez que seus efeitos colaterais, se não monitorados, podem levar à morte. Por isso é importante que cada paciente ao notar alguma reação anormal comunique seu médico para que tome as devidas providências, sejam reduzir dosagem, trocar o medicamento, ou outras que se fizerem necessárias.

è Segue como preferência para tratamento dos surtos a utilização em alta dose da metilprednisolona (corticoide) como a mais eficaz. Este componente reconstrói a barreira entre o sangue e o cérebro, o que é provado nas imagens de RNI.


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Prevenção dos surtos


è Já para a prevenção de novos surtos de EM o que se mostra mais favorável e são os interferons beta, resultado de engenharia genética (DNA recombinante). Este medicamento também mostra eficiente no tratamento preventivo de déficites neurológicos da forma aguda progressiva da doença, trata-se de um imunomulador que orienta o sistema imunológico. Os beta interferons mais aplicados são beta 1-a (Rebif® e Avonex®) e o beta 1-b (Betaferon®).


è Outro medicamento bem tolerado, mas que como os demais não dispensa acompanhamento médico de suas reações, é o (Copaxone®). Este constitui-se no acetato de glatirâmer, é resultado da mistura de polipeptídeos sintéticos em reação cruzada com a proteína básica da mielina.


è Quando os imunomoduladores não respondem eficientemente no tratamento da EM toma-se mão dos imunossupressores, quais proporcionam mais efeitos colaterais mas são eficientes no seu objetivo. Algumas dessas substâncias são ciclofosfamida, mitoxantrone, azatioprina, metotrexate.



A pessoa com Esclerose Múltipla muitas vezes se vê sozinha e discriminada por sentir sensações e sintomas invisíveis aos demais ao seu redor. São vários os sintomas que os portadores de EM convivem diariamente, alguns reforçados pela própria medicação e pelo preconceito da sociedade. Tais incômodos podem ser tratados ou minorados com medicações alopáticas ou, na medida do possível naturais, além de medicinas alternativas. Entre os sintomas que acometem a rotina dos portadores de EM estão:

·       Fadiga

·       Distúrbios da micção

·       Dor e dormência

·       Espasticidade

·       Distúrbios do funcionamento intestinal

·       Distúrbios sexuais

·       Ansiedade e depressão.


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Novas medicações

Cientistas juntamente com a indústria farmacêutica cada vez mais se aprofundam em buscar a medicação que seja mais eficiente e menos agressiva para os portadores de Esclerose Múltipla.

Entre as mais novas drogas aprovada pelo Ministério da Saúde está o Natalizumabe (Tysabri®), qual trata-se de um monoclonal, destinado a tramento da Esclerose Múltipla do tipo surto-remissiva, sendo comprovadamente eficaz seu resultado nas formas graves da doença para os portadores que não tiveram resultados com os imunomoduladores. Tal medicamento atua fazendo uma barreira hematoencefálica à entrada de linfócitos no SNC. Entretanto a indicação desse medicamento deve ser feita com muito critério, uma vez que existe a possibilidade do portador desenvolver Leucoencefalopatia Multifocal Progressiva (LEMP), qual trata-se de outra doença grave que pode levar à morte, atingindo 1 em 1000 pacientes tratados. Sua aplicação intravenosa deve ser feita em hospital 01 vez por mês, com pleno acompanhamento do paciente.

Outra nova droga imunossupressora, com eficácia comprovada para tratamento da EM tipo surto-remissão, recentemente aprovada pelo Ministério da Saúde é o Fingolimode (Gilenya®). Este medicamento atua retendo nos linfonodos certos subgrupos de linfócitos. Também é um medicamento que deve ser monitorado durante seu tratamento, tendo em vista seu potencial de afetar o sistema cardiovascular e pressão arterial, sendo assim necessário que antes de sua utilização se faça um mapeamento cardiológico, sendo também por isso importante que a primeira ministração do medicamento seja feita em hospital para acompanhamento de qualquer reação anormal. 

É contra-indicada a pacientes que já utilizaram Ciclofosfamida ou Mitoxantrone anteriormente a sua prescrição, bem como para gestantes. Levando em consideração que se trata de uma medicação nova, é importante que sua prescrição seja criteriosa e acompanhada por um médico durante o tempo em que for administrada, uma vez que ainda não se sabe todas as reações que o medicamento pode provocar. É importante lembrar que quem vai definir qual o medicamento adequado para cada paciente é o seu médico, de acordo com seu histórico clínico e direcionamento do tratamento.



Origem e Prevenção


Até o momento a medicina ainda não conseguiu decifrar a origem da Esclerose múltipla, acredita-se que exista predisposição genética, infecções virais, uso de fumo da mãe durante a gravidez, ausência de vitamina D ou outras substâncias essências para o equilíbrio do sistema imunológico são cogitadas como algumas das possíveis causas, contudo, sem nenhuma definição concreta sobre o que causa a doença. O que existe são pressupostos, sem comprovações científicas. Justamente por isso torna-se impossível prevenir de algo que se desconhece a origem. 

Um nível de prevenção que se pode falar é a de ficar atento quanto a qualquer um dos sintomas descritos acima, procurar um médico solicitando um diagnóstico completo. Muitas doenças têm semelhanças com a EM, todas raras e graves, como a Neuromielite ótica e a Esclerose Lateral Amiotrófica, por isso qualquer sintoma suspeito nunca deixe de procurar o médico. O ideal é que se tenha pelo menos diagnóstico de 02 neurologistas, sendo pelo menos 01 especialista em EM para que se tenha total certeza da patogenia do portador e seu respectivo tratamento.  

Gravidez e E.M. Pode?


Uma vez identificada a Esclerose Múltipla, a terapêutica consistirá em retardar a progressão da doença e minimizar os sintomas ou sequelas, através de tratamento multidisciplinar de médicos, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, ou outras especialidades, de acordo com a limitação do portador. Atualmente os portadores de EM incluem a medicina alternativa em seu roteiro para minimizar os impactos da doença. Existe também uma alternativa de tratamento com altas doses de Colicalciferol (Vitamina D), aliado a reposição de minerais e vitaminas, com acompanhamento e controle nutricional. Esta terapia, contudo, ainda é recusada pela maioria da comunidade médica nacional.





Também é muito importante buscar qualidade de vida e evitar na medida do possível ambientes estressantes, com muito calor, poluição, situações de sobrecarga emocional e psíquica, demasiado esforço físico. É fundamental que se pratique uma dieta saudável, manter as atividades diárias dentro de suas possibilidades, evitar ficar isolado, manter contato com amigos e saber que a doença não é fatal e que você pode e deve seguir sua vida e não desistir de seus objetivos, apenas por ter que adaptá-los a sua nova realidade. 

Lembre-se que mesmo não havendo cura é possível ter uma vida normal com EM se você procurar tratamento o quanto antes possível e seguir as instruções médicas. Os casos de óbito em portadores geralmente são fruto de complicações ou somatório de fatores não exclusivos da EM. Ainda não existe cura para esse mal, não obstante a ciência esteja lentamente evoluindo em direção a essa tão esperada conquista.

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Fonte: Literatura especializada disponível na Web.

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