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06/01/2013

Esclerose Múltipla e Depressão

Posted By: Vania Regina - 05:08

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O que você faria se recebesse a notícia que talvez amanhã você possa acordar cego, ou sem o movimento das pernas ou da coordenação motora? Essas questões geram ansiedade só de pensar até em quem não tem o risco clínico de passar por esses eventos. Por aí você possa imaginar o nível desse sentimento que nós portadores de Esclerose Múltipla enfrentamos dia a dia. E não é só a incerteza da
invalidez que perturba, mas, talvez, muito mais que isso, a incerteza e falta de perspectiva segura ao pensar no futuro, já que ao desejar fazer planos, o paciente logo recorda das possibilidades de não conseguir cumprir seus compromissos financeiros ou metas pessoais. A própria ausência de respostas sobre origens, causas e evolução da patologia também atormentam, e muitas vezes geram sentimentos de impotência e revolta. Esses são alguns dos fantasmas que assombram continuamente quem enfrenta e supera a E.M. e suas facetas.






Sociedade, Desinformação, Preconceito.


Além dessa condição incerta os portadores enfrentam o estresse gerado pela sociedade que, sem conhecimento da doença, desconfia da veracidade dos sintomas, já que muitos deles é apenas sensitivo, não sendo percebido externamente. Por exemplo, a fadiga, que é uma das principais causas de incapacitação, é um sintoma muito forte, que não pode ser visto e por isso incompreendido e muitas vezes confundido com preguiça. O mesmo acontece com as fincadas, dormências e fraquezas nos braços e pernas. Soma-se aí o fato de os portadores serem confundidos com doentes mentais ou retardados, o que não procede, conforme já explicamos em artigo anterior. Conviver com a incompreensão e descrédito gera um sentimento de rejeição e inferioridade, o que somado a muitos outros fatores inquietantes da doença, contribui na formação do quadro depressivo.

> Quais os Direitos dos Portadores de Esclerose Múltipla
> Gravidez e Esclerose Múltipla. Existe risco?

Os números comprovam o desafio que representa a depressão na vida dos portadores de Esclerose Múltipla ao registrar sua presença em 35 a 54% dos pacientes. Outra estatística não tão agradável mostra que 15% dos que lutam contra a E.M. falecem por suicídio, sendo o índice desse tipo de morte 7,5 vezes superior em relação ao restante da população.

Por mais que a E.M. seja a doença mais comum entre jovens adultos que atingem o SNC, a maioria das perguntas ainda não têm resposta fechada, permanecendo, como em quase todas as questões relativas essa doença, a indefinição.






Fatores da depressão


Na tentativa de desvendar mais esse mistério, resultados de estudos observaram uma semelhança fisiopatológica entre E.M. e depressão, quais ao reagir a lesões em regiões fronto-temporais, podem, entre outras coisas, produzir alterações endócrinas, um dos fatores causadores de sintomas depressivos. Também a carga de lesões é relacionada ao fenômeno da depressão, demonstrando que não só as exigências de adaptação à nova realidade que a doença demanda contribui para essa alteração psíquica, existindo, também fatores fisiológicos, nos quais a doença tem papel ativo. Não podemos esquecer que alguns medicamentos utilizados na administração da E.M. contam a depressão e ideação suicida entre seus efeitos colaterais, recomendando, inclusive em bula, monitoramento médico durante sua administração. Outros sintomas observados por estudiosos resultantes de medicamentos são fobia social, perturbação de ansiedade generalizada e  perturbação de pânico.

O que não é Esclerose Múltipla
> E.M. tem cura?

Os agentes geradores de depressão e ansiedade estão menos relacionados com o dano neurológico, duração da doença ou sexo feminino, mas sim mais proximamente conectados a fatores psicossociais, como apoio familiar e aceitação social. Como conclusão estudos também observam que jovens solteiros, que contam com menor ou nenhum suporte social e familiar, sem profissão e/ou insuficiência de rendimentos mensais contam com maior probabilidade de desenvolver um quadro clínico desfavorável. Soma-se à acentuação desses sintomas psiquiátricos o tratamento e atenção dispensada pelos cuidadores, mesmo quando já adaptados às eventuais limitações do portador. 


Ou seja, várias vertentes contribuem para a construção do cenário depressivo, sendo o psicológico do paciente bombardeado por consequências fisiológicas da doença, do ambiente e dos medicamentos. Igualmente o portador deve lutar com a imprevisibilidade dos sintomas que podem ocorrer em qualquer área do cérebro, sem previsão de aparição, nem gravidade ou duração. Podemos perceber que portadores de Esclerose Múltipla enfrentam várias frentes de batalha, física, psicológica, social e laboral.


Como reflexo dessa carga psicológicas de múltiplas fontes, os pacientes apresentam sintomas depressivos representados por irritabilidade, agitação, alteração de apetite e libido, desânimo, culpa, frustração, e baixa auto-estima, sendo, contudo, predominante na E.M. a irritabilidade, frustração e desânimo.






Pensar positivo também é remédio


Investigações também notaram que pessoas com pensamento otimista em relação ao futuro, que fazem planos, propõem metas e desafios e batalham por eles, tendem a vivenciar um bom prognóstico. O contrário observa-se em pessoas que se entregam à doença devido às suas incertezas, deixando de realizar seus sonhos, constituir família, estabelecer relacionamentos, mas apenas esperando a morte, estes indivíduos tendem a um mau prognóstico. Por isso sugiro que não se entregue às armadilhas do mau pensamento, mas sim alimente sua fé e viva intensamente a vida, realizando seus planos e sonhos.


Diante de tudo, podemos concluir que da mesma forma que a E.M. é múltipla, seu tratamento também é feito por equipes múltiplas, quer dizer, por psicólogos, psiquiatras, neurologistas, fisioterapeutas, nutricionistas e outros especialistas que sejam necessários para tratar cada uma das faces da doença, que convenhamos são muitas, já que cada lesão no cérebro pode demandar cuidado de uma especialidade diferente. Mas devemos reforçar que a atenção ao lado psíquico deve ter atenção especial, já que pode influenciar no agravamento e avanço da doença e à sua não adesão à terapêutica, prejudicando o resultado do tratamento e novamente piora do quadro clínico. Sendo assim, em sinal de afetação emocional converse com seu médico para que possa lhe direcionar para um psicólogo ou psiquiatra conforme o caso. 

É importante lembrar que a E.M. não é letal e seu avanço pode ser controlado proporcionando uma vida ao máximo normal. Além disso, cada vez mais são desenvolvidos medicamentos eficientes e a ciência já está adiantada na descoberta da cura da patologia. E principalmente nunca perca a fé, pois ela é a certeza do que não vemos, mas sim confiamos, ou seja, um futuro melhor. 

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Fonte: Literatura especializada disponível na Rede.

16 comentários:

  1. Olá Anônimo, agradeço seu comentário.

    Vânia Souza - Escleroceito

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  2. Obrigado pelas palavras, me sinto excluído em vários aspectos....

    Jotta

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  3. Bom dia,
    Precisei perder empregos para descobrir que tinha TDM, pois o neurologista sabendo do meu quadro de portador de EM, nunca me indicou um psiquiatra mesmo mostrando todos os sinais do transtorno.
    obrigado e parabéns pelo blog.
    JULIO

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  4. Jotta,

    Agradeço sua visita ao blog. É sempre bom compartilhar nossos sentimentos e impressões com os amigos. Eu entendo o que você diz. Também passo por isso. E acredito que muitos portadores passam por esta mesma luta.

    Não se entregue ao isolamento. Busque sair de casa, faça atividades que você tem condição de realizar onde possa ter contato com pessoas novas. Converse, ria, brinque, se divirta. Viva a vida!

    Mas não desanime, nem se entregue. Até Jesus foi abandonado por seus amigos e mesmo assim os perdoou. Lembre-se sempre que se temos a Deus nunca estamos só.

    Fique com Deus. Abraços!

    Vânia Regina - Escleroceito

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  5. Júlio,

    Agradeço sua presença e participação no Blog.

    Eu entendo o que você passou. Já aconteceu alto parecido comigo, só que ao contrário..

    Eu não sei em qual Estado você está. Mas posso lhe adiantar que o CIEM, em BH, oferece acompanhamento psicológico gratuito aos portadores de E.M. Mas acho que você precisa ser paciente do CIEM para ter acesso a este apoio. No meu caso a médica mesmo me direcionou ao psicólogo Luciano quem acompanha o tratamento dos portadores.

    Caso você deseje pode ligar para o CIEM para saber mais a respeito do acompanhamento psicológico, o telefone é 3409 9994.

    Sobre o ficar desempregado você tem diversos direitos, começando por não poder ser demitido, a não ser se for substituído por outro profissional deficiente, nas mesma condições hierárquicas, de salário e carga horária. A empresa que lhe demitir fora dessas condições receberá grande multa e você poderá acioná-la na justiça trabalhista e civil se desejar.

    E também você pode solicitar auxílio doença, basta ligar no 135, marcar perícia e levar os relatórios e exames médicos.

    Espero ter contribuído. Lembre-se você tem a Lei a seu favor para ajudá-lo nesta fase difícil.

    Deus te abençoe. Abraços!

    Vânia Regina - Escleroceito

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    1. Parabéns po ser uma pessoa assim iluminada..diagnosticada ha 2meses...e ainda estou me adaptando e aprendendo a conviver...obrigada vc e linda por dentro...bjs que deus t ajude...Flavia

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  6. Olá Flávia, agradeço sua visita ao site. Seja sempre bem vinda!

    Conte conosco para juntos vencermos essa batalha em comum. Em breve teremos muitas novidades no novo site para unir e apoiar ainda mais os portadores de E.M. Fique atenta!

    Grande abraço, Deus te abençoe!

    Vânia - Escleroceito

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  7. Oi! Vânia queria uma ajuda...Tenho neurite optica, sem EM no momento. Não trabalho quero começar a contribuir no inss já que no futuro posso desenvolver EM ou cegueira mesmo, logo preciso contribuir enquanto antes...Já q não passei ainda em um concurso..o qual desejo muito, mas enfim me ajude por favor para garantir um salário de aposentadoria caso eu necessite. Grata desde já é que Deus conceda a cura a estas doenças o quanto antes..beijo

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    1. Olá Natasha / Jacque (desculpe estou na dúvida do nome, como já mencionei..)

      Novamente agradeço sua visita e participação neste este singelo blog.

      Inicialmente esperamos que você não seja diagnosticada com nada grave, mas se isso acontecer saiba que tens um Deus que não nos abandona e nos orienta no caminho de deserto nos mostrando a melhor saída nas dificuldades.

      Respondendo a sua inquietude:

      Como eu te disse na sua pergunta postada no post "E.M. e Concurso público" para garantir que você não fique desemparada, sem nenhum benefício previdenciário, seja auxílio doença ou aposentadoria é importante começar a contribuir antes do diagnóstico da doença. Isso porque o INSS não dá assistência a doença pré-existente, exceto em caso de agravamento da patologia ou lesão, quando já segurado.


      E para ter direito a afastamento por E.M. você precisará contar ao menos com 1 ano (12 meses) de contribuição para a Previdência, já que aquela doença não tem o benefício de isenção de carência de contribuição, exceto no caso de contar com sintomas (sequelas) que configuram as doenças graves, quais isentam a carência, como alienação mental, cegueira, paralisia irreversível e incapacitante.


      Iniciando a contribuir agora, antes do fechamento do diagnóstico, mesmo que você sofra recaídas antes de completar as 12 contribuições mínimas, você já estará resguardando seu afastamento, no caso de ser sofrer um surto e ser acometida por alguma sequela ou incapacidade caracterizada por aquelas doenças graves objeto de isenção.


      Para aposentadoria por doença grave não existe exigência de mínimo de contribuição, mas o encaminhamento a mesma deve partir do médico perito do INSS.

      Lembrando o já falado acima: E.M. atualmente não aparece na lista de doença grave pelo RGPS (Regime Geral da Previdência) que estão isentas de carência para concessão de benefício, mas sim seus sintomas ou sequelas na forma daquelas citadas doenças objeto de isenção.


      E você também tem o direito de recorrer a qualquer momento a Justiça Especial Federal para requerer aposentadoria por doença grave, onde o parecer costuma ser positivo, desde que apresentadas todas as provas solicitadas, exames, relatórios, comprovantes de contribuições,laudos etc.


      Por fim, entendemos que o ideal e mais seguro para você é iniciar o pagamento das contribuições para evitar que percas o direito ao auxílio doença por não ser segurada ou não contar com doença grave.


      Espero ter conseguido explicar e que tomes a melhor decisão para seu futuro.


      Grande abraço Jacque / Natasha. Estamos torcendo para que não tenhas nada grave. E que possas seguir com seus sonhos sem medo.


      Vânia Regina - Escleroceito

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  8. Ah e vc é muito linda!
    Bjs de novo...Vamos viver um dia de cada vez...
    E mais uma coisa...qual tratamento vc faz? Até

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    1. Oi Natasha / Jacque Castro,

      Você também é linda, o que se percebe pela sua inteligência planejadora e organizada. Faço votos que sempre continues vencendo essa batalha com muita fé e coragem.
      Estamos todos juntos, unindo forças!

      No momento faço tratamento com Copaxone. Mas está em fase de teste para sentir a adaptação do organismo. Se não me adaptar minha médica tentará outra medicação.

      Espero que eu tenha conseguido ajudá-la. Se tiver mais algum comentário dentro de minhas possíbilidades pode enviar que responderei com a mesma satisfação.

      Grande abraço Jacque / Natasha. Que Deus a abençoe grandemente.

      Vânia Regina - Escleroceito

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  9. Muito legal 👍 Vânia, parabéns 😤 pelo texto.

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    1. Olá Hamilton Teles, seja bem vindo, agradeço sua presença e participação aqui no blog.

      Sinta-se sempre a vontade para participar e acompanhar as novidades do nosso humilde blog.

      Se possível assine o nosso Feed e siga-nos para receber no seu email as postagens, novos comentários e o aviso da data de lançamento do novo site.

      Grande abraço e que Deus abençoe você e toda família.

      Vânia Regina - Escleroceito

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  10. Gostei muito de ler tudo o que explicou a outros doentes.
    É uma mais valia para todos nós a troca de ideias e o saber de quem tem mais conhecimentos que nós.
    É aprender a conhecer outras realidades e que ajudam a descodificar certas dúvidas.
    Bem haja por tudo isso e que Deus que é Pai a ajude na sua vida, tanto quanto precisa.

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    Respostas
    1. Olá Anita. Agradeço sua visita. Seja sempre bem vinda.

      Agradeço seus comentários. É bom saber que pude colaborar de alguma forma positiva. Sua presença aqui é muito importante.

      Desculpe pela demora em responder, tenho andado assoberbada com outros projetos que estou envolvida. Mas fiquei muito feliz ao ver seu comentário e participação. Esperamos vê-la por aqui mais vezes.

      Que Deus abençoe você e toda sua família.

      Vânia Regina - Escleroceito

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